Tuesday, August 04, 2009

Noites



Vivo nas noites de Verão, naqueles pequenos momentos onde a Mente vai embora e fica este Medo e o Sentimento do perder não tendo em Mim.
Dou por mim sentindo-me não me sentir e ao mesmo tempo sou o maior sentimento que tenho em mim. Sou aquele que mora no escurecer escuro de uma escuridão sem nome, aquela que nos aperta as veias e nos faz querer transbordar no Grito, que mesmo dado apenas na nossa cabeça.
Gostava de perceber a Noite. Perceber os contornos que tem, as lamúrias que pragueja quando o sentimento de si se perde, no sentimento de outrém. Hoje, gostava de ser a Noite para ainda assim me perceber.
Dou por mim, a ser o que vejo e a sentir as chagas de uma escuridão que me cega a Alma, e me fecha a porta na cara. Hoje não entrei em Mim. Apenas fiquei à porta porque a escuridão da minha tristeza assim o ordenou.
A Luz do Dia pode ser a chave para conseguir abrir esta porta de punhais e espinhos que me foi fechada. Ainda assim, nem na loucura frenética da Luz do Sentir me consigo sentir em condições. Alguma vez me terei sentido?
Hoje, sou, estou, vejo, sinto e não sei para o que vu. Ninguém o sabe. Muito menos perdido nesta noite e nestas vozes e demónios que me habitam a mente, espetando-me punhais no Sentir e ferindo a Razão que gosto de preservar. Ainda assim, sinto... o que consigo.
Perco-me em cada esquina sem me encontrar. Vejo-me em cada espelho sem me ver. Conquisto a cada luta, não a Vitória, mas cicatrizes que jamais sararão. E na certeza da minha Escuridão da Noite, não sou mais do que um peregrino, esperando, não que a Noite acabe mas sim que a minha tormenta tenha um términus. Utopia feito sentimento. Ainda assim, sonha quem sonha que sonhando consegue sonhar. Mas continuo sem sonhar e acima de tudo a ter nos dedos o saber do fel e a secura de quem sente a Vida numa constante prova, em que saio a perder em cada estalar de dedos.
Vejo-me na passagem entre o Ser e o Não Ser. A tal Passagem que nunca sabemos muito bem qual nos fica melhor. Talvez por isso fico ali, sem saber o que sou. Se um projecto de gente ou gente feita projecto falhado, nestas noites. Estas noites que me custam a passar e a Sentir, onde o tique-taquear dos relógios não são mais do que pica-miolos, roendo-me por dentro, transparecendo-me na face, e reduzindo-me o Sorriso Ausente que mora em mim.
Hoje, a Noite chegou cedo... e hoje começo a jornada cedo... para que mais uma vez me perca na Escuridão, como um labirinto, esperando perder-me. Não porque o perder seja uma dádiva, mas porque não encontro a dádiva de não me perder nesta Dor.
Hoje, a Noite chegou cedo...
... e nela tento não entrar, porque me fechou a Porta.
Apenas eu, Hugo.

2 Comments:

Blogger © Piedade Araújo Sol said...

H.V.

toda a tua escrita é muito cuidada, as frases muito bem construídas, e acho que vás longe no dominio da escrita. (estou a repetir-me).

gostei de tudo o que li e achei estas frases lindas demais.

"Perco-me em cada esquina sem me encontrar. Vejo-me em cada espelho sem me ver. "

um beij

12:46 AM  
Blogger © Piedade Araújo Sol said...

Em Tempo:

para quando uma tentativa em forma de poema?

fico a aguardar!

12:47 AM  

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