Sunday, July 05, 2009

Jornada


Gostava de saber como seguir um rumo sem o perder. Talvez conseguisse, nesse momento, pensar aquilo que devo sentir e não sentir aquilo penso.
Hoje, vivo com os dois pés assentes na terra e com a loucura a tomar-me conta da mente. Preciso de encontrar o trilho, o tal que as pessoas lutam, o tal que as pessoas almejam, o tal que faz o sorriso brilhar todos os dias da semana.
Dou por mim levado em castelos de nuvens que o Sol não afasta nunca. Ora, sentindo as coisas leves e sensacionais como se novidade fossem, ora sentido o doce carregado fel que a tristeza ancora, vivo sufocado pela dor, que a minha barriga carrega e a pele traz tatuada.
Sou, mesmo em Lisboa, alguém que luta contra o karma de não ser vencido pela vida, mas sim vencer na vida. Vivo pela conquista da minha paz, a tal que me faz descansar à noite, sem os pesadelos nefastos que afastam de mim os sorrisos. Gostava de poder trazer ligado a mim o sorriso que os vencedores albergam quando a conquista é efectiva, mas afinal sou ainda o projecto daquilo que devia ser mas que provavelmente jamais será.
Jamais será aquilo que projectava, porquanto não se consiga nunca ser aquilo que se almeja. Mitiga-se o que não se tem, com o que se vai tendo e ainda assim não se mitiga o suficiente para nos sentirmos mitigados. Mitigando, mitiga-se o que não se mitiga.
Sofro-me os dias, como se de peregrinações estivessemos falando. Peregrinações de vontade, levando-me a lado nenhum. Ao vazio, talvez. Esse que fica confinado entre quatro paredes, numa noite escura, onde só Tu e a Mente habitam numa comunhão quase perfeita. Nesses momentos, em que as minhas pequenas e fúteis peregrinações chegam ao seu vazio, enfrento-Me como se fosse o meu pior inimigo.
E, de facto, hoje em dia cada vez mais me vou convencendo que o meu maior inimigo sou eu próprio. Eu próprio por ser Eu, da forma que sou, do modo que Sou e da forma mais vil como me magoo e firo a mim mesmo. Ainda assim, não consigo deixar de parar de me magoar, e deitar contra a parede. Teria o Mundo ao cruzar da esquina se a futilidade de Mim próprio, se desfizesse na luta contra aquilo que posso Ser. Ainda assim, consigo dar mais valor às tristezas e infelicidades que vou tendo, do que àquilo que vou alcançando.
E os anos vão passando... e sempre esta estúpida dor... a tal que os comprimidos não tiram. A dor de pensar que quero triunfar e não olhar para trás julgando que algo ficou por fazer. A dor de sentir que algo está sempre mal. A dor de pensar que o Meu Inimigo afinal sou eu próprio e ainda assim incapaz de me mudar, jamais.
Hoje permito-me parar a luta ainda que por momentos. Para que as palavras jorrem, como rios correndo para o Mar. Eu paro a luta, antes de voltar ao fim das minhas peregrinações, para recomeçar onde as mesmas acabam.
Por isso, hoje luto contra Mim, para que eu próprio não me vença... ou me renda.
Apenas eu, Hugo.

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Uma coisa é certa. Se fores tão bom naquilo que almejas ser, como o és na expressão da tua escrita, tenho a certeza que vais alcançar o sucesso que pretendes.
Só não deves e não podes desistir nunca de lutar!
No fim do caminho está o Sol a brilhar, só tens de o encontrar. E se te meteres por algum atalho, não te preocupes, podes sempre retomar o caminho principal para voltares a tentar.
Gostei da tua escrita. Tens imenso valor!

9:03 AM  
Blogger © Piedade Araújo Sol said...

a tua escrita é uma autentica prosa poética.

continua miúdo!

um beij

12:31 AM  

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