Monday, March 21, 2005


Seria fácil a vida se não existissem atritos. Se não houvesse uma brisa pela manhã a por-nos o nariz vermelho, se apenas houvesse a alegria e não houvesse a dor, o existir apenas o branco e não o negro das coisas. Hoje é um daqueles dias, em que sento numa cadeira e as palpebras pesam demasiado não me deixando mais abrir os olhos. Sem razão aparente relembro as coisas lindas que disseste, os textos que escreveste, o toque das tuas mãos, o cheiro e o calor do teu corpo, e sem que nada o determine divago e chego a roçar o infinito da estupidez, imaginando-te a viver "a idade das tuas horas", longe de um corpo, de uma mente e de um coração que sabes que será sempre teu. O Destino tem destas coisas. Acasos que nos levam mais longe do que o Universo conhecido, mais perto do que um sopro de uma brise que se esvai no azul do céu, mais ténue e fugaz o bater do coração. Tive a sorte de estar no local exacto à hora exacta. Que teria acontecido se não estivesse aí nesse mesmo dia, nessa mesma hora, nesse mesmo momento em que a nossa vida se cruzou? As tuas horas certamente seriam passadas nos braços de um outro alguém. Porventura, mais capaz, mais confiante, mais bonito que eu. Provavelmente, serias mais feliz do que és agora: terias alguém perto de ti a quem amar, alguém de beleza superior perto de ti, e não este "mais ou menos" que tens e te ama mais que tudo. Li os teus dois últimos textos. Sentimentos contrastantes me deram claramente: o primeiro levou-me a um estádio de ansiedade pela qual já não passava faz tempo, visto saber interpretar cabalmente agora todas as palavras que nele vêm; o segundo, enchou-me o ego e trouxe-me de volta à realidade. O que é um facto, é que não é fácil de pensar que pude algum dia viver sem ti. Fácil de te imaginar com outro. Fácil de te imaginar vivendo uma vida dissimulada e umbilicalmente cortada de mim. Dói muito, pôr tal hipótese como materializável. Não consigo esconder os ciumes do teu passado, os ciumes do teu presente e o medo do nosso futuro. Ainda que sabendo que os alicerces do nosso presente, em nada são falaciosos, e que a nossa vontade se confunde numa só, o fantasma do esquecimento e do medo de te perder vivem enclausurados na prisão da minha alma, chamando-te a cada momento para me vires resgatar. Como um comboio de corda, o meu coração vai batendo chamando e chamando e chamando por ti, para vires reclamar o que já é teu por direito próprio. E a alma treme mais uma vez... A uma brisa obscura paira sob a minha mente corrompendo-a, molestando-a, triturando-a, fazendo dela o substracto para os seus intentos maquiavélicos, sugando-me a felicidade e injectando em mim uma angústia de mil anos. Será que vês o Sol que vejo quando ele nasce? Terá ele o mesmo significado que tem para mim? Será o nosso amanhã igual aos nossos amanhãs diferenciados? Não sei, porquê, não compreendo, esta angústia, este medo do teu passado, este medo do teu presente, este medo de te perder. Tudo à minha volta, todas as tuas fotos, tudo, me coloca longe do habitáculo da minha alma, até aí onde estás pintando o teu caminho a letras douradas, buscando conseguir a perfeição plena. Porquê, então? Serei neurótico? Maníaco-depressivo? Alguém à procura de alguém em quem descarregar a sua necessidade de atenção? Posso ser qualquer coisa, mas não me parece que alguém que fosse qualquer destas coisas, via auto-análise, conseguisse saber que o era. Sou fraco, sim, isso sou. Débil, com uma tendência quase doentia para que a vida me volte as costas. O arcanjo da Vida disse-me claramente "Não", quando lhe pedi a Felicidade e o Sossego para a minha alma. Assim, e sem escolha para uma alma já de si, fraquíssima, vivo num turbilhão de emoções, que vai desde o riso exacerbado até à angústia existencial. Por isso, meu amor, vem dar-me o elixir que preciso, o néctar que levará para horizontes mais plenos e tira-me desta vida, que definitivamente não é minha. Leva-me para longe, muito longe, onde a visão dos homens não nos alcance e talvez aí consigamos implementar a mais grandiosa das vontades que trazemos nos nossos peitos. Vem deitar-te em mim, calar o meu sofrimento ou então tira-me a vida para que com ela o sofrimento acabe. Apenas eu, Hugo! Posted by Hello

3 Comments:

Blogger CatarinaCarneiro said...

Quando leio o que escreves fico sempre na duvida, será verdade o que escreve ou é apenas ele a fantasiar? ....quando é que me tiras essa duvida? No entanto, ctn a gostar d ler o k escreves, apesar d a tristeza ser uma constante no que escreves!! Beijoca e anima-te moço =P

12:50 PM  
Blogger CatarinaCarneiro said...

escreves , escreves, escreves... depois de ler é que vi o quando me repeti.. =\... ninguem é perfeito né? S todos escrevexem cmo tu, ia-s tornar uma escrita banal...por ixo ainda bem que nao é ! =P

12:52 PM  
Blogger CatarinaCarneiro said...

Eskeci d uma cena... exe quadro.. canibalismo... ah pois...é um dos k mais gosto!!! E akelas moletas... pra kem percebe, ve-s logo de kem é... Beijoca :)

1:07 PM  

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